Para amar-te
Para amar-te
queria fazer
uma ponte de palavras
que fosse ao
mesmo tempo
teus pés e meu
coração,
fazer uma casa
de palavras
e uma cama de
palavras
para beber o teu
cheiro
como quem toca
a luz da memória.
Por isso tomo
emprestadas as promessas dos amantes ferozes
cuja lenda
reverbera nas letras do seu nome.
Furto palavras
de Rimbaud,
que amou com
violência se embriagando
bajo el estupor de las estrellas,
peço metáforas
a Safo para dançar
nas ruas
desertas
e não esquecer
da cintilante
sede da carne,
tomo luas e
flores dos poemas de Lorca
e corpos dos
versos de Cernuda,
gritando Evohé! junto às bacantes
de uma idade
anterior à culpa;
copio
delicadamente reflexos
de Alejandra
de Olga e de Anna
de
Wislawa e de Cristina
e com essas
matérias
cruas
alimento minha
fome, para dizer:
para te amar,
vou fazer um encontro de palavras
como um pássaro
que canta frente a um espelho:
não sabe
que o outro lado não existe,
mas não se
importa.
Rezo aos
amantes enlouquecidos
que se irmanam
comigo
na ardente
espera do desejo.
Grafitti en Rio de Janeiro


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