VARANDA
Seu João come sua laranja
sentado à beira do muro –ou do vazio,
da igual.
Ele não sabe, mas isto não importa:
a perfeição do quadro segue estando aí.
O sol bate nesse instante
sobre o lado direito da minha cara
e apenas sou essa luz encarnada que
respira
e
pergunta.
E lá embaixo, preguiçoso, o rio flui,
dançando com as cobras do verão.
Tudo é simples demais. Tudo é nu.
Seu João. Eu. O rio. O mundo.
E a luz sem princípio
que amorosamente
nos devora.Do livro Poemas marginales, 2017
Graffitti en Rio de Janeiro



Comentarios
Publicar un comentario